Monday, February 10, 2014

Viva la cerveza artesanal!

Além das lindas paisagens dos lagos e montanhas, o que se pode fazer aqui em Bariloche é comer muito chocolate e tomar cerveja artesanal.
Por isso, quando eu não estou subindo uma montanha, ou sentada na beira de um lago, eu estou numa cervejaria ou chocolateria. Estou fazendo um grande esforço para conhecer todas as que existem por aqui. ;)
Hoje vou mostrar algumas das cervecerias artesanais que conheci.

A Manush fica no centro de Bariloche. Adorei a decoração e a música. Estava tocando jazz.

A cerveja da Manush é muito boa. Estou pedindo o mesmo tipo de cerveja em todas as cervejarias pra poder se mais justa ao compará-las. Ando tomando muita Cream Stout. 

Cerveceria Blest fica na Avenida Bustillo nos kilometros, como dizem aqui. Longe do centro, mais perto da nossa casa. 

Há uma tradição na Blest de deixar um bilhetinho nos coasters da cervejaria. O lugar está coberto de tais mensagens. Achei o ambiente meio "cluttered" e estava cheio de crianças chorando, berrando. Quem leva os filhos para uma cervejaria numa sexta-feira a noite? Muitos argentinos, pelo jeito!

Olha ai as mensagens de brasileiros que passaram pela Blest antes de mim. 

Cerveceria Antares: também fica no centro de Bariloche. Mais uma Cream Stout pra mim! 

Na Antares nós pedimos papas bravas de tira-gosto. Elas vieram não muito bravas, até que o garçon voltou com uma garrafinha de Tabasco.

Olha aí um pedacinho de Louisiana aqui na Patagonia!!

Além dessas, conheci as cerveceiras La Cruz e Berlina.
De todas, eu voltaria na MANUSH. Gostei da cerveja e adorei o ambiente. Estava tocando jazz no sábado em que fomos lá e não tinha nenhuma criança gritando do meu lado.
Na Antares e na Berlina não tinha criança nenhuma. Não me entendam mal, não tenho nada contra, mas acho muito estranho você entrar num bar as 10 ou 11 da noite e ter um bebe chorando de um lado e duas crianças de uns 4 anos correndo e jogando coisas do outro.
A Blest foi a pior de todas nesse aspecto. A gente quase não fica lá por causa da berradeira. Convenci o José a ficar na Blest porque queria muito conhecer e é super famosa, meio que obrigatória a visita, sabe? A "picada" (tipo tábua de frios) que a gente pediu lá estava maravilhosa!

Saturday, February 1, 2014

O vento...

Puerto Pañuelo, Bariloche, Argentina

Friday, January 31, 2014

O Vento Patagônico e a Fiaca

Nem acredito que o mês de janeiro está acabando. Estou com a sensação que daqui a pouco acaba o ano e eu não fiz nada.

Acordo todo dia com uma lista do que fazer bem modesta.
A lista de ontem, por exemplo, incluía:

1) Limpar o fogão que é branco mas estava cor-de-rosa desde que resolvemos cozinhar beterraba.

2) Varrer a casa várias vezes porque tudo fica coberto de uma poeira cinza que, segundo o José, é ainda das cinzas do vulcão Puyehue que fica a 100 km de Bariloche (no Chile) e entrou em erupção em junho de 2011! O negócio foi tão sério que o aeroporto daqui ficou fechado por 7 meses!!!

3) Ler o livro "El Tiempo entre Costuras" porque é muito pesado e não vou levá-lo comigo pra New Orleans nem a pau.

4) Terminar a segunda semana do curso "Jazz Appreciation" (da UT Austin) que estou fazendo pelo edX.

5) Ir no supermercado próximo de casa para comprar papel higiênico, uma garrafa de vinho para o jantar, e outras coisinhas.

Parece pouco para ocupar um dia inteiro, não é?

Pois acredite que eu consegui não fazer quase nada disso.
Só limpei o fogão hoje de manhã.
Varri a casa, sim. Mas isso não vale, nem devia estar mais na lista porque eu não aguento ver todo esse pó!
Não li nada do meu livro pesado até a hora de me deitar quando já estava cansada demais porque fazer nada cansa. Li umas 3 páginas e fui dormir  e ainda passei metade da noite sonhando com a guerra civil espanhola.
Até que quase terminei a segunda semana do meu curso de jazz. Yay!!
Mas, como estava chovendo e ventando, eu não fui no supermercado. O coitado do José, meu herói, saiu as 9 da noite pra fazer essas comprinhas. Isso podia esperar até hoje, mas ele queria o vinho para acompanhar o jantar.

Conclusão?

Vou culpar o vento patagônico por não ter feito minha única atividade fora de casa. A chuva nem me incomoda porque agora tenho uma super capa de chuva azul escuro de bolinhas brancas! Mas eu não aguento esse vento, aliás, nenhum vento, patagônico ou não! Só que o patagônico ainda vem com as cinzas vulcânicas chilenas pra completar. Recomendo nunca abrir os olhos pra quem usa lentes de contato (como eu)!

Já as minha atividades dentro de casa... é pura "fiaca" mesmo. Fiaca, segundo o glosario de argentinismos, significa preguiça, vontade de fazer nada. Vem do italiano "fiacca", ou seja, é parente do "dolce far niente"!
Devo dizer que minha fiaca é até produtiva porque ontem eu e o José assistimos dois capítulos de Treme (season 4) e eu li muitos artigos do Guardian, The New Yorker, NPR, blogs os mais variados, nada a ver com nada. Também procurei uma poltrona colorida em várias lojas virtuais.
E a janela do nosso quarto é grande e ótima para ficar olhando as montanhas, as folhas das árvores movidas pelo vento, as nuvens passando, a chuva caindo... perfeita para fiaca!

Hoje eu NÃO inclui escrever no blog na minha lista e já estou terminando essa "tarefa". Talvez esse seja o segredo. Eu me rebelo contra a minha própria "to-do list". ;)


Tuesday, January 28, 2014

Vendo Bariloche do Cerro Otto

Lago Nahuel Huapi visto do Cerro Otto

José, o lago  e a cidade de Bariloche vista do Cerro Otto

Casa/Museo Otto Meiling

Berghof: coincidência? 

Lago Nahuel Huapi e Bariloche

Descida para a cidade

O Cerro Otto é uma colina que fica aqui dentro da cidade e resolvemos subir por uma trilha até a antiga casa de um dos fundadores do Club Andino Bariloche, Otto Meiling. Hoje a casa dele é um museu e está super bem conservada. Incrível é que em 2011 houve um incêndio que destruiu completamente o refúgio Berghof, ao lado do museu, mas, por sorte, a casa ficou intacta!

Levamos cerca de uma hora e meia pra chegar lá em cima pela trilha. Talvez tivesse sido mais rápido se eu estivesse usando umas botas mais adequadas. A vista é lindíssima e o dia estava perfeito.

Na volta decidi que seria melhor para minhas botas descer pela estrada para carros. Também levamos uma hora e meia na descida porque a estrada dá muitas voltas. Para compensar você tem uma vista fantástica o caminho inteiro.

***

Sobre Otto Meiling: Nasceu em 1902 na Alemanha (Baviera) e veio para Bariloche em 1930. Em 1931 o Club Andino Bariloche foi fundado por ele e uns amigos. Alguns anos depois eles construiram o Refugio Berghof que chegou a incluir hotel e restaurante. O complexo tinha como objetivo promover atividades como esqui, escalada e caminhada. Ele viveu numa casa (hoje museu) no Cerro Otto por 50 anos e morreu em 1989. É considerado um pioneiro do montanhismo da região.

PS: O nome da colina não é em homenagem a Otto Meiling, mas Otto Goedecke, outro pioneiro sobre o qual nada sei!



Thursday, January 16, 2014

Feliz Ano Novo, de Bariloche!






Fotos da Playa Bonita, em San Carlos de Bariloche, Argentina.

A praia (no lago Nahuel Huapi) fica pertinho da minha casa.
Quando está quente a praia fica cheiona, um monte de gente de biquini, tomando mate, e até há quem entre na água!
Eu vou só dizer que morri de calor porque não tem sombra nenhuma e eu mal coloquei o pé nesse lago gelado e saí correndo. Tem gosto pra tudo, né? Mas pra quem é de Fortaleza isso lá é praia?
O visual é incrível mas acho que fica mais lindo num dia menos quente. Tentarei outra vez.
Ah, e essas pedras... Uma tortura para os pés, bundas, costas, seja lá que parte do seu corpo você decidir encostar nelas.

Mas não estou reclamando... muito. Tem muita coisa boa por aqui. Vou apreciar a praia mais de longe, por enquanto, e vou continuar provando todos os chocolates da cidade.

Feliz 2014!!


Thursday, November 14, 2013

Mudança temporária

Minha casa está ficando de pernas pro ar. Estou limpando da geladeira a inbox de emails, me preparando para passar pouco mais de 3 meses fora de casa, viajando entre o Brasil e a Argentina.
Além disso, estou tentando fazer as malas, naquele processo terrível de resolver o que vai comigo e o que fica.

O meu problema principal é como levar todas as roupas, coisinhas, presentes que eu quero em UMA mala pra despachar, uma malinha de mão e uma bolsona enorme. Porque eu vou viajar dentro do Brasil e da Argentina, e o limite de peso é 23kg, estou basicamente ferrada. 

A primeira coisa que eu fiz foi aceitar o fato de que não posso levar nem um livrinho de papel! Investi em alguns ebooks (além dos 4 que já estou lendo simultaneamente) e me acalmei um pouco. 
A segunda, foi convencer meu argentino a levar umas roupas minhas diretamente pra Buenos Aires, já que ele vai ter limite de peso o dobro que o meu. Só que o coitado está indo morar em Bariloche, então já tem um montão de coisa dele mesmo pra levar. Por isso estamos tendo que negociar, mas algumas roupas minhas vão com ele sim!!!
A terceira, foi parar de comprar presentes. Pra quem já tinha comprado vou levar e o resto da galera dançou. Em último caso posso comprar uns presentinhos brasileiros mesmo. 

Aí eu vou viajar naquele esquema de chegar no maior calor de São Paulo usando bota já que tenho que ir usando o sapato maior e mais pesado de todos. Isso porque, apesar de estar indo a Bariloche no auge do verão, ainda fica frio por lá. 
Também vou usando várias camadas de roupa, inclusive um casaco, pra não ocupar espaço naquela única mala. 

Sabe aquelas pessoas que viajam leves, quase sem bagagem, flutuando pelos aeroportos sem bagagem de mão nem nada, sem nenhuma preocupação na vida? Não sou eu!!! 
Eu vou arrastando uma mala de mão pesadíssima com um macbook, dois iPads (não são meus!), dois kindles (esses são!), e tudo o que eu conseguir enfiar dentro pra diminuir o risco de ter que pagar excesso de bagagem, uma bolsa maior que eu com mais um monte de tralha, além do casaco, o travesseiro pra pescoço, e algo mais que der pra eu pendurar em mim mesma. Já estou cansada só em pensar. Nem um pouco de elegância. Mas, afinal de contas, se vê muito pouco glamour em aeroportos hoje em dia. Eu devo passar despercebida. 

Tuesday, November 12, 2013

Freelancer

Passei os últimos dois meses tentando não sair correndo desesperada do lugar onde eu trabalhava. Consegui (um dia de cada vez) ficar por lá até o dia 24 de outubro. Tinha tudo planejado, contando cada centavo que eu preciso pra ser "freelancer" por uns meses e ainda poder pagar todas as contas.
A verdade é que, entre o dia em que entreguei a segunda carta de renúncia (a primeira não foi aceita pela minha supervisora - long story!) e  meu último dia, eu tive umas 4 ocasiões em que eu pensei "f@%# this place, I'm going to quit!". Aí eu parava pra respirar e lembrava que eu já tinha pedido demissão, só precisava aguentar mais umas semanas. Woohoo!

Nos últimos dias todo mundo fica mais legal com você, tudo parece um pouco mais suportável, mas o universo me ajudou muito a não ficar triste por estar saindo desse emprego. Porque até meu último momento eu tive razão pra querer ir embora. Mas não vou entrar em detalhes de jeito nenhum.
Tem gente legal que trabalha lá e vou sentir falta da companhia de algumas delas. O problema é que no dia a dia mesmo, lá dentro, na loucura que é trabalhar num lugar com stress (desnecessário) constante, não dá nem pra curtir as coisas boas.

E quero deixar claro que eu ADORO o trabalho que fazia lá. Nada melhor do que saber que alguém precisa de acesso a tratamento médico, a transporte, habitação, a medicamentos. e você (na maioria dos casos) pode ajudar. É um trabalho muito gratificante. Às vezes os clientes queriam mesmo só se queixar da vida. Nada de falar com terapeuta (o que eu não sou!), só queriam conversar com alguém, e eu estava lá pra isso. Ser paga pra ajudar os outros? Maravilha!! Mas vou ter que encontrar outra forma de fazer isso.

Eu e uma amiga passamos a nos referir ao meu último dia do trabalho como o dia em que ia sair da prisão. Comecei a oferecer coisas do escritório pra quem quisesse, para os que ficaram pra trás porque ainda não cumpriram a pena. hehehe De vez em quando alguém vinha me visitar na minha cela e assim eu fui dando o abajur, a cadeira mais legal, a estante, os chocolates, o creme para mãos e álcool gel.
Até a minha bandeira do Brasil ficou com o recepcionista!! Eu sabia que não ia mais precisar dessas quando estivesse livre. ;)

Na foto abaixo você pode ver (parte do) meu escritório do qual não tenho saudade especialmente porque não tinha janela!!! Por isso eu me referia carinhosamente ao meu local de trabalho como "mina de carvão"!


"Working in the coal mine, going down, down, down..." no more!