Wednesday, March 30, 2011

Fechando com Chave de Ouro

Modéstia à parte, hoje eu arrasei.
Tivemos uma auditoria do governo federal lá no St. Martin's. Eles vieram especificamente para olhar o meu trabalho, ou seja, uma papelada horrorosa de dois programas de habitação que eu administro. A verba é de quase 1 milhão de dólares e eu sou a única pessoa no departamento.
Esse tipo de auditoria não acontece todo dia. Há muitos anos o HUD -Department of Housing and Urban Development (Ministério da Habitação dos Estados Unidos) não fazia tantas auditorias. Estão fazendo agora porque vão precisar cortar programas e, pra isso, têm que ter base pra escolher o que fica e o que é sacrificado.

A auditora chegou de mau humor, com vontade de encontrar defeito, porque, afinal de contas, é isso que ela faz! Escolheu o nome de 14 clientes (mais ou menos 10% do total) e eu tive que ir mostrando toda a documentação, olhando pasta por pasta.
Depois do primeiro cliente, ela me agradeceu por ter tudo em ordem e facilitar o trabalho dela e começou a reclamar das outras organizações que ela visitou. Coitada! Deu até pena porque o trabalho dela deve ser um saco, principalmente quando numa auditoria ela encontra tudo zoneado e tem até que penalizar a organização.
Depois de uns 8 clientes, ela disse que não precisava ver mais nada.
Ela tinha planejado um ou dois dias, calculando tempo pra gente sair desesperado procurando documentação "perdida" e outras coisas divertidas do gênero.
Minha auditoria durou 2 horas e meia!!!
A auditora que entrou bufando no meu escritório saiu me agradecendo mais uma vez e disse que eu tinha deixado ela feliz! Imagina, feliz!!! Ela disse: You made me happy! Se vocês vissem a cara com que essa mulher chegou no meu escritório, entenderiam que fazê-la feliz foi quase um milagre.

Então, sem falsa modéstia, o resumo da ópera é: eu administro dois programas sozinha e, graças a esses programas, 135 famílias que viviam por aí dormindo em carros, na rua, em abrigos noturnos, hoje têm onde morar. Legal, né?
Impressionar numa auditoria federal é importante não só pra manter a verba para ajudar essas pessoas, mas também pra poder receber mais verba e ampliar os programas no próximo ano.
Fiquei feliz especialmente porque, depois de 5 anos, vou, muito em breve, deixar esse trabalho. Pelo menos sei que estou deixando tudo em ordem.
Com esse resultado, daqui que eles resolvam fazer uma outra auditoria dessas por lá a pessoa que vai me substituir já terá aprendido o trabalho.
Estou aliviada e feliz.

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Não me pergunte como eu fui parar nesse trabalho porque nem eu sei bem o que aconteceu. Uma coisa levou a outra e, apesar da minha formação em jornalismo, línguas e literatura, hoje tenho um cargo que une serviço direto à parte mais marginalizada da população desse país e contato constante com a burocracia do governo americano. Tem sido uma experiência interessante.

Wednesday, March 16, 2011

Velho Amigo


Hoje lembrei do urso que ficou me olhando um tempão no zoológico de Munique, numa tarde de outono em 2007.
Quando voltei dessa viagem à Alemanha eu passei meses olhando pra ele que virou papel de parede do meu laptop. Parecia que ele estava tentando me dizer alguma coisa e tomando conta de mim, numa época meio turbulenta da minha vida.
Talvez por isso hoje, no dia em que comprei mais uma passagem de avião, que vai me levar ao início de uma vida nova em outra cidade, pensei no urso o dia todo e quando cheguei em casa fui procurar a tal foto que tirei no dia em que a gente se conheceu.
Acho que ele me dá uma sensação de proteção e tranquilidade. Então resolvi mantê-lo por perto de novo. Estou precisando e aqui está ele. Apresento a vocês meu amigo urso!


Saturday, February 19, 2011

De Onde Eu Sou

Eu sou de cadernos,
de livros e revistas.
Sou das estantes cheias de livros,
e do cheiro de incenso vindo do escritório do meu pai.
Eu sou do Atlântico,
das mangueiras
que cresciam pela minha cidade.

Eu sou de passar os natais juntos
e não falar de nossos sentimentos.
De Rosenda e de Antônia.
Eu sou de ler romances,
assistir filmes e de viajar.

Eu sou de não tomar banho de chuva
e não pegar sereno.
E definitivamente de não comer fruta quente do pé.
Eu sou de fazer refeições juntos.
Eu sou de Fortaleza, sou de Portugal.
De tapioca e torta fria.
De levar no mínimo 30 minutos pra se despedir quando a gente visita parentes.

Sou do azulejo pintado com com o nome de família que a gente comprou na loja de souvenir
na viagem que fizemos juntos a Portugal
e que eu coloquei com orgulho na parede da sala de jantar.


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Isso é um exercício de escrita que eu fiz em inglês, mas achei interessante e resolvi fazer uma versão em português.

Tuesday, February 1, 2011

Viva a neve lá fora e eu aqui dentro!!!

Hoje não vou trabalhar porque tem um pouquinho de neve lá fora mas com promessa de piorar à tarde e à noite.
Não gosto desse frio todo, não gosto da melecada que fica depois que a neve começa a derreter, ou pior, do gelo que cobre tudo quando a neve não derrete!!! Como a temperatura está bem abaixo de zero (-9ºC, a ºultima vez que chequei) a neve não vai derreter e vamos ter gelo. E é aí que mora o perigo. Fica tudo escorregadio.
E o pessoal aqui em Albuquerque não sabe dirigir na neve. Então as ruas são uma diversão!!!
Por isso saber que não preciso ir trabalhar hoje foi uma notícia boa demais.
Vou ficar em casa tomando um chocolate quente (por sorte tenho leite em casa - nunca compro!!!) e lendo, escrevendo...
Tá bom, é mais provável que eu deite aqui no sofá e assista uns filmes. Talvez assista uns DVDs que trouxe do Brasil com o melhor da TV brasileira: Armação Ilimitada e Anos Rebeldes!
Já troquei de roupa, coloquei o pijama de novo!!! Deixa eu ir que já é 11 da manhã e preciso fazer nada...

Saturday, January 29, 2011

De repente Califórnia

Estava aqui eu, sem pensar em viajar pelo menos por um mês, quando me liga uma amiga argentina que mora em Oakland, Califórnia, me chamando pra ir pra lá passar uns 3 dias na casa dela. A razão é que a organização (WORLD) para a qual ela trabalhou por muito tempo está programando um fim de semana de planejamento estratégico e ela convenceu o pessoal a me convidar pra participar.
Pra quem não sabe eu trabalhei um tempo no New Mexico AIDS Services (2003 a 2005), aqui em Albuquerque. Meu trabalho lá era ajudando mulheres, crianças e adolescentes com HIV. Foi nessa época em que conheci essa amiga argentina. A WORLD faz uns retiros pra mulheres soropositivas duas vezes por ano. Eu levei clientes do New Mexico AIDS Services para alguns desses retiros e aproveitava pra passear por Oakland e San Francisco, e a Alejandra (a argentina) me hospedava na casa dela.

A gente passou um tempão sem se comunicar, se achou no facebook há uns meses, e agora veio o convite. Aceitei e sexta-feira que vem estarei lá. A reunião será sexta à tarde e sábado o dia inteiro. O resto do tempo será pra gente se divertir!!!
A Alejandra ser uma companhia maravilhosa, eu ficar uns dias perto da água, e a temperatura lá estar uns 10ºC acima da daqui de Albuquerque, é tudo, na verdade, só bônus!!! O melhor dessa viagem é que eu vou participar de um evento super importante pra uma organização que atua no país inteiro. E, como estou pensando seriamente em voltar a trabalhar nessa área, num futuro próximo, vai ser importante entrar em contato com o pessoal da WORLD e outras organizações semelhantes. Depois é descobrir quem eles conhecem em New Orleans...

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WORLD é Women Organized to Respond to Life-threatening Diseases, o que significa Mulheres Organizadas pra Responder a Doenças que Ameaçam a Vida.
A website deles: www.womenhiv.org

Hoje em dia a Alejandra trabalha no Project Inform que tem um serviço nacional de educação sobre HIV e AIDS. A website é: www.projectinform.org


Tuesday, January 25, 2011

New Orleans - Comida

Muffuletta: sanduíche maravilhoso criado em New Orleans. Não é recomendado pra vegetarianos pois inclui salame e mortadela, entre outras coisas...
Po' boy é um sanduíche no pão francês, sendo os mais tradicionais de ostras ou camarões empanados e fritos, como esse aí acima que eu tive prazer de comer!
Voilá les beignets! Esses são os que prefero, do Café Beignet. Esse com menos açúcar aí da esquerda foi comido por mim logo após ter sido fotografado.
Bread pudding também virou coisa típica de New Orleans. Esse estava fantástico porque não era doce demais!
Gumbo é um cozido do sul da Louisiana. Esse que pedimos é no estilo "cajun" e era de frango e linguiça. Escolhi o gumbo sem quiabo que eu acho meio nojento quando cozido. Aqui no sul dos Estados Unidos eles fritam quiabo empanado e fica uma delícia! Só assim eu como a gosma.

Enfim, aí estão algumas das delícias que provamos em New Orleans.

Monday, January 24, 2011

New Orleans

Músicos na French Quarter - por que é que eu não filmei???


No final de semana passado fui a New Orleans encontrar meu querido argentino que se mudou pra lá. Passei quatro dias maravilhosos "morando" na French Quarter e ainda re-encontrei amigos de longas datas, que conheci em Fortaleza, naquela minha vida passada em que era professora de inglês da Cultura Inglesa.

Eu já tinha ido a New Orleans antes do furacão Katrina que destruiu muita coisa mas que deixou o French Quarter, parte mais antiga e turística, quase intacta. Quando fui em 2004 foi pra visitar esses mesmos amigos: a Nalu, o Rogério, a Mariana e o Gustavo. Fizemos o circuito turístico, com direito a ir ao Aquarium e zoológico e à noite na French Quarter, claro! Passamos o Thanksgiving Day numa casa linda, a beira do lago Pontchartrain, de uma amiga de meus amigos. Soube agora que essa casa não existe mais, foi completamente destruída pelo furacão Katrina.

Nem sei por onde começar a falar dessa cidade. Nouvelle Orléans foi fundada em 1718 pelos franceses, depois foi passada aos espanhóis em 1763, voltou pra França em 1800, e Napoleão, finalmente, vendeu todo o território chamado de Louisiana aos Estados Unidos em 1803. Desde então é uma cidade americana, mas não totalmente!!!
Entre furacões, enchentes (a cidade é cercada de água e protegida por diques) e incêndios ela já foi destruída e reconstruída algumas vezes. A maioria dos prédios na French Quarter (área francesa) são na realidade da época em que os espanhois eram os donos do pedaço. Depois de dois grandes incêndios, no final do século XVIII os espanhois tiveram que reconstruir tudo. O estilo arquitetônico é colonial espanhol.
O planejamento da parte antiga da cidade (tabuleiro de xadrez), isso sim, foi feito pelos franceses.

Foi nessa parte da cidade em que ficamos, no hotel Dauphine Orléans criado em 1969 numa construção do século XIX. O bar do hotel, May Baily's Place, era o salão de um bordel no século XIX, e está na lista dos prédios mal-assombrados de New Orleans! Só o bar, não o hotel. Acho tudo isso muito interessante, mas o melhor mesmo é a música e a comida! E por estar hospedados nessa parte da cidade dava pra ir a pé pra um monte de lugar legal. E foi o que fizemos!

Não lembro de ter comido nada ruim nessa viagem. Na maioria dos casos, o que comi estava uma delícia! Obviamente, comemos ostras, lula, caranguejo, peixe e camarão, muito camarão!! E posso dizer que não adorei o camarão só porque estava vindo do deserto e fazia anos que não comia! Na realidade eu tinha acabado de voltar de Fortaleza onde também comi camarão pra caramba!!!

Na categoria café, acho que o melhor café au lait que tomei foi no Antoine's Annex. Nenhum café me impressionou muito, mas ninguém vai a New Orleans pra beber café, né? Deve ser por isso. Também ainda temos que descobrir as padarias.
Mas o que não pode ser esquecido são os beignets, que são feitos de uma massa tipo de bolinhos de chuva (ou de buñuelos) cobertos com açúcar de confeiteiro. Beignet é francês (mas eu nunca comi na França) e virou coisa típica de New Orleans. Há até a rivalidade entre os dois cafés que servem os melhores beignets: o famosíssimo Café du Monde (que praticamente só serve beignets e café au lait) e o Café Beignet (que tem um cardápio bem mais variado). Nós fomos provar nos dois lugares e eu digo que o Café Beignet me ganhou logo de cara por ser um pouco menos exagerado na quantidade de açúcar. Mas mesmo sem levar isso em consideração eu achei o beignet deles mais gostoso e pronto! Os defensores do Café du Monde vão me mandar pra fogueira. Tudo bem, mas eu não vou mentir.

Vou pular pra música e dizer logo que não fomos no Preservation Hall. Fomos mas estava lotado, mandaram a gente dar meia volta. Na noite seguinte pensamos em ir cedo porque não se pode fazer reserva mas encontramos outra coisa melhor pra fazer. Ficou pra seguinte mas acabamos indo encontrar meus amigos, fomos pro Café du Monde e terminamos só indo beber um vinhozinho no nosso bar mal-assombrado mesmo.
Mas dizem que Preservation Hall é imperdível - o nome "preservation" (preservação) é porque foi criado (em 1961) pra preservar o jazz no estilo de New Orleans. Lá dentro só se consome música. Não tem comida, nem bebida, e, mesmo que você consiga entrar, não se garante que você fique num lugar de onde possa ver os músicos. Mesmo assim eu quero ir um dia.

Só que música tem em todo lugar em New Orleans, pra todos os gostos. Inclusive pra quem tem muito mau gosto! Em geral, devo dizer, gostei da música. Na noite em que saimos com a Nalu e o Rogério pela French Quarter, a Nalu nos levou em mil em um lugares, cada um famoso por alguma razão. Paramos pra ouvir jazz em um deles e depois tomamos umas cervejas em outro lugar onde uma banda tocava mais soul music. Adorei!
A qualquer hora do dia e da noite tem gente tocando nas ruas. Muito legal! Alguns são muito bons! A foto acima tirei no meu primeiro dia na French Quarter. Adorei o grupo e dei gorjeta. O guia do nosso passeio de charrete nos falou que é importante dar gorjeta pros bons músicos e não dar pros que são ruins. É assim que se garante a qualidade da música de rua.

Numa outra noite em que caminhávamos sem rumo, entramos num karaokê famoso (Cat's Meow) e tivemos o prazer de assistir a performance de uma brasileira (tinha que ser) cantando "Highway to Hell". Ela cantava bem mas eu acho que o público gostou mais do estilo de dançar de quem cresceu ao som de funk brasileiro e axé music. A cantora/dançarina brasileira combina perfeitamente bem com a New Orleans dos estudantes universitários americanos que vão pra lá só pra encher a cara e depois fazer outras coisas de que não vão lembrar no dia seguinte. E é provavelmente melhor que não lembrem.
Como eu já passei dessa fase, na minha New Orleans você vai pra sentar num lugar e ouvir jazz tocado por músicos excelentes. Por isso eu não daria gorjeta pra brasileira, pra preservar a qualidade da música.