Saturday, April 30, 2011

Só mais um mês em Albuquerque

Agora em abril eu tive que tomar muitas decisões, pedir demissão, entregar o aviso de 30 dias ao proprietário do prédio onde moro, doar um monte da minha tralha, começar a encaixotar o que quero levar comigo...

Também fui visitar minha nova cidade, conhecer o apartamento que encontrei online há quase um mês, já assinar o novo contrato de aluguel e passear pela minha futura vizinhança.

Sem falar no meu processo de naturalização que já está chegando ao fim. Na semana passada fui para entrevista com a imigração, que inclui o teste cívico e de inglês. Agora é só esperar receber a carta com a data da cerimônia. É, em breve terei cidadania americana.

Muita emoção pra um mês só, né?

Pois é, mas abril não foi nada. Amanhã começa o mês de maio e aí é que vai ser!!! Na segunda começo a treinar minha chefe que não tem a menor idéia do que eu faço porque ela está com medo de não conseguir contratar ninguém pra me substituir antes de eu ir embora!

Nesse meu último mês em Albuquerque também vou embalar tudo que quero levar, me despedir de muita gente e, finalmente, fazer a grande mudança, que incluirá uma viagem de uma 20 horas no meu carrinho. Essa parte não me anima nem um pouco, mas fazer o que?

Por isso hoje, o dia que marca o fim do emocionante mês de abril, e amanhã, que é o início do potencialmente estressante mês de maio, eu tirei pra não fazer NADA. Quer dizer, tirando o tempinho que estou usando pra escrever aqui e um texto que tenho que ler daqui a pouco, o resto está reservado para "il dolce far niente".
Então, com sua licença...

Bom fim de semana!!!


Saturday, April 9, 2011

A Minha Bagunça


Na foto vocês podem ver parte da minha sala que, na minha opinião, está uma bagunça completa. Eu estou me preparando pra uma grande mudança e, por isso, tirando coisas de todos os armários pra selecionar o que vai pro lixo, o que vai ser doado, ou o que vai comigo para o meu próximo lar.
Outra parte da bagunça, que não dá pra ver muito bem na foto, é a pilha de caixas vazias que estou colecionando. Como não tenho onde guardá-las, elas estão no canto da sala, mal escondidas por trás da minha mesinha.

Sei que para os padrões de outras pessoas (menos obsessivas, talvez?) isso não é nada, mas está me deixando louca. As caixas no chão, perto do sofá, são meu projeto pra hoje.
O mais triste de tudo isso é perceber o monte de lixo que tenho guardado em casa. Tem certas coisas que não dá pra acreditar que estavam guardadas por tanto tempo. Mas estou me livrando de muita coisa e não é pra abrir espaço pra mais lixo. NÃO!!!
Na semana passada eu esvaziei meu closet e descobri que tinha (não contem pra ninguém) 40 pares de sapatos, incluindo botas, mas não a coleção de havaianas. Isso porque faz um tempão que não compro nenhum par e dei vários pares no final do ano passado. Pois é, desde a triste constatação, eu já levei uns pares pra doar lá no trabalho, mas não diminui o absurdo. Podem me chamar de Imelda. Eu mereço!!!

Como não estou disposta a pagar mais aluguel pra poder abrigar minha tralha, vou continuar me livrando de coisas. O processo com as roupas está complicado, eu doei um mooooonte de coisa e parece que não saiu nada do closet. Fiquei um pouco decepcionada com esse resultado e dei um tempo com as roupas, voltei pros papeis.
Papel é mais divertido. Levei um monte pro trabalho e passei horas triturando extrato de banco, contas antigas, sei lá o que mais coisa inútil que tinha arquivado. Isso mesmo, tudo arquivado, em pastas separadas. Meu entulho é organizadíssimo!!!

Enfim, tenho que voltar ao trabalho porque para esse final de semana ainda tenho programado os CDs, muitos, muitos, todos já devidamente copiados pro iTunes e no meu iPod, mas eu ainda não consegui encontrar um novo lar pra eles. Quer dizer, não encontrei porque não procurei esse novo lar, porque não tive coragem. Ah, o apego...


Wednesday, March 30, 2011

Fechando com Chave de Ouro

Modéstia à parte, hoje eu arrasei.
Tivemos uma auditoria do governo federal lá no St. Martin's. Eles vieram especificamente para olhar o meu trabalho, ou seja, uma papelada horrorosa de dois programas de habitação que eu administro. A verba é de quase 1 milhão de dólares e eu sou a única pessoa no departamento.
Esse tipo de auditoria não acontece todo dia. Há muitos anos o HUD -Department of Housing and Urban Development (Ministério da Habitação dos Estados Unidos) não fazia tantas auditorias. Estão fazendo agora porque vão precisar cortar programas e, pra isso, têm que ter base pra escolher o que fica e o que é sacrificado.

A auditora chegou de mau humor, com vontade de encontrar defeito, porque, afinal de contas, é isso que ela faz! Escolheu o nome de 14 clientes (mais ou menos 10% do total) e eu tive que ir mostrando toda a documentação, olhando pasta por pasta.
Depois do primeiro cliente, ela me agradeceu por ter tudo em ordem e facilitar o trabalho dela e começou a reclamar das outras organizações que ela visitou. Coitada! Deu até pena porque o trabalho dela deve ser um saco, principalmente quando numa auditoria ela encontra tudo zoneado e tem até que penalizar a organização.
Depois de uns 8 clientes, ela disse que não precisava ver mais nada.
Ela tinha planejado um ou dois dias, calculando tempo pra gente sair desesperado procurando documentação "perdida" e outras coisas divertidas do gênero.
Minha auditoria durou 2 horas e meia!!!
A auditora que entrou bufando no meu escritório saiu me agradecendo mais uma vez e disse que eu tinha deixado ela feliz! Imagina, feliz!!! Ela disse: You made me happy! Se vocês vissem a cara com que essa mulher chegou no meu escritório, entenderiam que fazê-la feliz foi quase um milagre.

Então, sem falsa modéstia, o resumo da ópera é: eu administro dois programas sozinha e, graças a esses programas, 135 famílias que viviam por aí dormindo em carros, na rua, em abrigos noturnos, hoje têm onde morar. Legal, né?
Impressionar numa auditoria federal é importante não só pra manter a verba para ajudar essas pessoas, mas também pra poder receber mais verba e ampliar os programas no próximo ano.
Fiquei feliz especialmente porque, depois de 5 anos, vou, muito em breve, deixar esse trabalho. Pelo menos sei que estou deixando tudo em ordem.
Com esse resultado, daqui que eles resolvam fazer uma outra auditoria dessas por lá a pessoa que vai me substituir já terá aprendido o trabalho.
Estou aliviada e feliz.

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Não me pergunte como eu fui parar nesse trabalho porque nem eu sei bem o que aconteceu. Uma coisa levou a outra e, apesar da minha formação em jornalismo, línguas e literatura, hoje tenho um cargo que une serviço direto à parte mais marginalizada da população desse país e contato constante com a burocracia do governo americano. Tem sido uma experiência interessante.

Wednesday, March 16, 2011

Velho Amigo


Hoje lembrei do urso que ficou me olhando um tempão no zoológico de Munique, numa tarde de outono em 2007.
Quando voltei dessa viagem à Alemanha eu passei meses olhando pra ele que virou papel de parede do meu laptop. Parecia que ele estava tentando me dizer alguma coisa e tomando conta de mim, numa época meio turbulenta da minha vida.
Talvez por isso hoje, no dia em que comprei mais uma passagem de avião, que vai me levar ao início de uma vida nova em outra cidade, pensei no urso o dia todo e quando cheguei em casa fui procurar a tal foto que tirei no dia em que a gente se conheceu.
Acho que ele me dá uma sensação de proteção e tranquilidade. Então resolvi mantê-lo por perto de novo. Estou precisando e aqui está ele. Apresento a vocês meu amigo urso!


Saturday, February 19, 2011

De Onde Eu Sou

Eu sou de cadernos,
de livros e revistas.
Sou das estantes cheias de livros,
e do cheiro de incenso vindo do escritório do meu pai.
Eu sou do Atlântico,
das mangueiras
que cresciam pela minha cidade.

Eu sou de passar os natais juntos
e não falar de nossos sentimentos.
De Rosenda e de Antônia.
Eu sou de ler romances,
assistir filmes e de viajar.

Eu sou de não tomar banho de chuva
e não pegar sereno.
E definitivamente de não comer fruta quente do pé.
Eu sou de fazer refeições juntos.
Eu sou de Fortaleza, sou de Portugal.
De tapioca e torta fria.
De levar no mínimo 30 minutos pra se despedir quando a gente visita parentes.

Sou do azulejo pintado com com o nome de família que a gente comprou na loja de souvenir
na viagem que fizemos juntos a Portugal
e que eu coloquei com orgulho na parede da sala de jantar.


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Isso é um exercício de escrita que eu fiz em inglês, mas achei interessante e resolvi fazer uma versão em português.

Tuesday, February 1, 2011

Viva a neve lá fora e eu aqui dentro!!!

Hoje não vou trabalhar porque tem um pouquinho de neve lá fora mas com promessa de piorar à tarde e à noite.
Não gosto desse frio todo, não gosto da melecada que fica depois que a neve começa a derreter, ou pior, do gelo que cobre tudo quando a neve não derrete!!! Como a temperatura está bem abaixo de zero (-9ºC, a ºultima vez que chequei) a neve não vai derreter e vamos ter gelo. E é aí que mora o perigo. Fica tudo escorregadio.
E o pessoal aqui em Albuquerque não sabe dirigir na neve. Então as ruas são uma diversão!!!
Por isso saber que não preciso ir trabalhar hoje foi uma notícia boa demais.
Vou ficar em casa tomando um chocolate quente (por sorte tenho leite em casa - nunca compro!!!) e lendo, escrevendo...
Tá bom, é mais provável que eu deite aqui no sofá e assista uns filmes. Talvez assista uns DVDs que trouxe do Brasil com o melhor da TV brasileira: Armação Ilimitada e Anos Rebeldes!
Já troquei de roupa, coloquei o pijama de novo!!! Deixa eu ir que já é 11 da manhã e preciso fazer nada...

Saturday, January 29, 2011

De repente Califórnia

Estava aqui eu, sem pensar em viajar pelo menos por um mês, quando me liga uma amiga argentina que mora em Oakland, Califórnia, me chamando pra ir pra lá passar uns 3 dias na casa dela. A razão é que a organização (WORLD) para a qual ela trabalhou por muito tempo está programando um fim de semana de planejamento estratégico e ela convenceu o pessoal a me convidar pra participar.
Pra quem não sabe eu trabalhei um tempo no New Mexico AIDS Services (2003 a 2005), aqui em Albuquerque. Meu trabalho lá era ajudando mulheres, crianças e adolescentes com HIV. Foi nessa época em que conheci essa amiga argentina. A WORLD faz uns retiros pra mulheres soropositivas duas vezes por ano. Eu levei clientes do New Mexico AIDS Services para alguns desses retiros e aproveitava pra passear por Oakland e San Francisco, e a Alejandra (a argentina) me hospedava na casa dela.

A gente passou um tempão sem se comunicar, se achou no facebook há uns meses, e agora veio o convite. Aceitei e sexta-feira que vem estarei lá. A reunião será sexta à tarde e sábado o dia inteiro. O resto do tempo será pra gente se divertir!!!
A Alejandra ser uma companhia maravilhosa, eu ficar uns dias perto da água, e a temperatura lá estar uns 10ºC acima da daqui de Albuquerque, é tudo, na verdade, só bônus!!! O melhor dessa viagem é que eu vou participar de um evento super importante pra uma organização que atua no país inteiro. E, como estou pensando seriamente em voltar a trabalhar nessa área, num futuro próximo, vai ser importante entrar em contato com o pessoal da WORLD e outras organizações semelhantes. Depois é descobrir quem eles conhecem em New Orleans...

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WORLD é Women Organized to Respond to Life-threatening Diseases, o que significa Mulheres Organizadas pra Responder a Doenças que Ameaçam a Vida.
A website deles: www.womenhiv.org

Hoje em dia a Alejandra trabalha no Project Inform que tem um serviço nacional de educação sobre HIV e AIDS. A website é: www.projectinform.org