Não reparem na palidez porque isso foi no primeiro dia de praia!
Tuesday, August 16, 2011
Monday, August 1, 2011
De Viagem
Estou fechando as malas. Amanhã vou pro Brasil passar exatamente quatro semanas revendo a família e amigos. Vou pegar três vôos arrastando uma bagagem maior do que eu planejava. Mas quando eu chegar no meu destino vou aproveitar!! Vou comer todos os salgadinhos e tira-gosto de boteco que eu conseguir! Vou tomar sorvete de fruta, beber água de côco, caipirinha de verdade. Vou à praia, se a chuva deixar. Vou ficar em casa, se os amigos deixarem. Vou a um encontro com ex-colegas da faculdade de comunicação já no dia que eu chegar. Vou festejar aniversários de quatro pessoas queridas. Vou curtir cada minuto dessa temporada. Vou voltar com as malas cheias de comida e outras coisinhas que só tem lá no Brasil. Por fim, vou chegar em casa e matar a saudade do meu amor!
PS: Vou escrever no blog, se der tempo.
Friday, July 29, 2011
Um bonde chamado St. Charles - minha máquina do tempo!

Esse é interior do "meu" bonde! O transporte do momento!! São nove quadras da minha casa pra parada mais próxima do streetcar (bonde) chamado St. Charles. Uma maravilha! Tá bom, a parada podia ser mais perto, mas com as 9 quadras ainda se adiciona um pouco de exercício físico necessário pra quem detesta malhar. Se eu andar duas quadras dou de cara com uma parada de ônibus, mas qual é a graça?? Sem falar que o streetcar passa a cada 5 minutos. Até de madrugada continua passando, só que a cada meia hora, mas nunca para!!!
O melhor mesmo é que por $1,25 eu sou transportada no tempo. Primeiro você vê o streetcar vindo, já pertinho, e nunca chega... Isso é porque eles se movem numa velocidade, digamos assim, não muito rápida. Não sei qual é a velocidade exata. Num website li que eles respeitam a velocidade máxima da rua, mas isso não me diz nada. Eu tenho certeza que o "meu" streetcar não chega nem perto das 35 milhas por hora permitidas na St. Charles Avenue!! Então continuo sem saber. Qualquer dia desses eu pergunto a um condutor. Mas, enfim, não é um transporte pra quem está morrendo de pressa. É pra sentar, relaxar, olhar pela janela e se deleitar com as árvores centenárias e casas lindas lá fora. Pra mim está perfeito!
Quer mais razões pra andar de streetcar? Essa é a linha de bonde em funcionamento contínuo mais antiga do mundo!!! Os bondes são os originais, velhinhos mesmo, sem ar-condicionado, bancos de madeira, uns janelões maravilhosos... e eu e meu amor passeando!
Existe algo mais romântico? (suspiros)
Tuesday, July 19, 2011
Que haja sempre chuva!

Hoje eu vi duas pessoas que conheço, que moram em Albuquerque e estão de férias fora do país, postarem no facebook que estão com saudade de lá. Uma delas até descreveu a poeira e outras qualidades desérticas! Pois me deu arrepios só de pensar. Juro que não consigo entender como alguém sente falta de poeira. Acho que dá até pra se acostumar, mas mais que isso... E eu, claro, passei a amar Albuquerque e seus arredores mas, acreditem, não foi com as tempestades de areia que o Novo México me conquistou.
Apesar de já ter me apaixonado pelo meu novo lar em tempo recorde, ainda estou em fase de adaptação e, ás vezes, sinto falta da antiga facilidade. A vida já estava tão organizada por lá. Enfim, foram 10 anos construindo uma rede de apoio e reconhecendo os lugares que me interessavam e me faziam sentir em casa. Mas, cada vez que, depois de uma viagem pra longe, eu via o deserto da janela do avião, tinha vontade de não aterrissar. Não era minha casa permanente.
Entendam, não estou cuspindo no prato em que comi e, enquanto vivi no Novo México, eu curti muito o lugar e as pessoas que encontrei. Não passei 10 anos reclamando de tudo e me queixando da vida. Ao contrário, me abri pra aprender o máximo possível sobre a história e a cultura e conheci lugares e pessoas maravilhosos, inesquecíveis.
O que vou confessar é que não estou com saudade. Sinto, claro, muita falta dos amigos queridos. Muitas vezes vou em algum lugar e lembro de alguém que curtiria estar ali, que eu gostaria que estivesse aqui comigo... Mas essa realidade já é minha há muito tempo. Com tantos amigos e a família espalhados pelo mundo, minha vida é sempre assim. A lista de quem está longe só ficou mais longa.
Ontem eu passei o dia em casa, enquanto chovia torrencialmente lá fora. O dia inteiro mesmo!!! Foi fantástico! Escrevi no facebook que estava amando a chuva e algumas pessoas de Albuquerque escrevaram que precisam tanto de chuva lá e nada. Me deu uma tristeza, lembrei da falta de umidade que pra mim era opressiva, aí fui lá fora olhar a chuva e me deu um alívio tão grande de estar aqui... feliz da vida!!
O Novo México eu vou sempre trazer no meu coração, mas, cada vez mais eu percebo o quanto eu tinha que deixar o deserto pra trás, pois minha vida estava precisando de chuva, muito chuva!
Saturday, July 16, 2011
Meu cantinho na nova casa
Está caindo a maior chuva. Não estou reclamando. Muito pelo contrário, estou adorando!!! Chove quase todo dia aqui e eu ainda não parei de ir lá fora pra ficar olhando... Depois de 10 anos no deserto, vai demorar pra eu enjoar disso. Mas como está chovendo, depois de ir comer brunch no diner perto de casa, voltei aqui pro meu cantinho que aparece na foto. Esse é meu "escritório" que montei na entrada do apartamento, numa área que acho que o proprietário chamou de "breakfast nook". Pois virou o cantinho de leitura e de escritura!!
Pra mim, criar um espaço assim é importante pra eu poder me sentir em casa. Depois de tanta mudança, a vida toda, a gente aprende a fazer essas coisas.
É desse cantinho que vos escrevo, cara(o)s leitora(e)s.
Mas deixa eu ir que a água ferveu e vou fazer um chá... Vida dura!!
Thursday, July 14, 2011
Lar Doce Lar
Como demorei a voltar... Não foi minha intenção mas mudança de um estado pro outro não é tão fácil. Principalmente aqui nesse país onde cada estado tem leis próprias e às vezes até parece que mudamos de planeta. Meu carro, só pra dar um exemplo, teve que ser emplacado como se tivesse acabado de ser comprado. Ou seja, paguei um dinheirão em impostos pra receber os documentos e a placa nova.
Mas, enfim, há pouco mais de um mês, dia 3 de junho, entrei no meu novo apartamento, numa nova cidade. A mudança em si foi uma aventura. Depois de muito pesquisar, tentar contratar uma empresa que transportaria tudo até aqui, sem me cobrar os olhos da cara, e finalmente ficar sabendo que eles não entregariam as coisas na minha rua porque é estreita (nem é tanto assim!), resolvi alugar um caminhão e fazer o resto.
Isso mesmo!! Aluguei um caminhão e meu querido argentino disse que dirigiria de um estado ao outro, cruzando nada mais nada menos que o Texas!!! Com a ajuda de uma excelente co-piloto: eu!
E ele não só disse como fez! Além de dirigir, ajudou a colocar toda a minha tralha acumulada em 10 anos no caminhão e tirar tudo no destino final. Coitado! Um santo!!! Tudo isso meramente em troca do prazer da minha companhia!!
A vantagem (?) dessa mudança "do-it-yourself" é que fizemos uma "road trip", comendo em "truck stops" e dormindo em "motels". Tirei um monte de fotos não tão maravilhosas (porque foi tudo no celular) da passagem do deserto a terras mais verdes e mais úmidas. O problema era escolher os lugares pra estacionar porque não se podia dar marcha ré. Ah, porque esqueci de mencionar, nós estávamos rebocando um trailer com meu carrinho em cima! Divertido, né? Por isso não tive coragem de dirigir. Só o caminhão até que me arriscaria mas aquele trailer atrás me deixou nervosa.
Eu diria que a viagem em si não foi tão horrível mas não sei se faria outra mudança assim.
A grande lição que aprendi com essa viagem: tenho coisa demais!!! Joguei coisa fora, dei outras, mas ainda assim era tralha demais. Isso porque era só um apartamento de 1 quarto. Mas as caixas de livros (as mais pesadas) pareciam se reproduzir quando estavam sendo levadas pro caminhão. E quando fomos descarregá-lo aqui então... Ai,ai,ai! Tive vergonha do amigo muito educado que estava ajudando a gente. Ele comentou várias vezes que eu devo gostar muito de ler!! Não reclamou mas eu entendi o recado.
Monday, May 16, 2011
Hello!!! Dá pra respeitar a gente aqui???
O discurso na minha cerimônia de naturalização foi mais ou menos a mesma coisa que já tinha ouvido antes em duas outras cerimônias dessas que já assisti e mais uma vez me deixou um pouco decepcionada. Tinha esperança de que fosse diferente dessa vez. Não sei porque.
O advogado (procurador da República) que discursou começou por falar que se tornou cidadão americano quando nasceu, ao contrário de nós, 187 pessoas sentadas ali na frente dele, que tivemos que nos esforçar e passar o teste de inglês e cívico (que, por sinal, a maioria dos americanos não passaria se tivesse que fazer). Ele não mencionou todas as taxas que tivemos que pagar, entrevistas, impressões digitais, stress, etc, mas tudo bem, vai ver que ele pensa que é só o teste mesmo. Não duvido nada.
Em seguida, claro, ele falou que os americanos não valorizam o privilégio de terem nascido nesse país maravilhoso já com todos os direitos de cidadãos americanos. E foi aí que entrou a arrogância (mesmo que não tenha sido proposital). Nessa mesma hora eu desviei o pensamento para as coisas que ainda tenho que encaixotar na minha casa, os telefonemas que tenho que dar na segunda-feira no trabalho, o churrascão da gente diferenciada em São Paulo, a enchente do rio Mississippi...
O fato é que eu não acho que é necessário diminuir os países de origem dos outros e dizer que os Estados Unidos são "number 1" numa cerimônia de naturalização. Algumas pessoas que estão ali escolheram morar nesse país mas outras, não, foram obrigadas por alguma razão a deixar seus lares. E mesmo pra quem escolheu, como eu, acho um absurdo ter que ouvir isso. Por que desrespeitar a cultura dos 50 países que estão lá representados e achar que quem se naturaliza americano o faz porque não tinha direitos nem oportunidades em seu país natal?
A cultura da competição é tão forte aqui que não passa pela cabeça do advogado que minha vida no Brasil (só pra dar um exemplo) era ótima, mas eu vim pra cá e acabei ficando por razões que não tem nada a ver com o fato de eu não ter oportunidade nenhuma antes de me ter sido dado o direito de viver "o sonho americano".
A canadense sentada do meu lado, com certeza, não virou americana para desfrutar dos incríveis benefícios do sistema de saúde pública e da licença maternidade dos Estados Unidos. Pra quem não sabe, nenhum dos dois é direito garantido por aqui, estou sendo irônica!!
Sei lá porque uma pessoa vem da Bélgica e quer se naturalizar americana! Mas tenho certeza que não é pela completa falta de direitos ou oportunidades lá. Vai ver que essa pessoa joga baseball e lá não tem time profissional!!!!
Somente no caso de quem estava sendo perseguido, correndo risco de ser morto, quem estava morrendo de fome, quem não tinha direito a voto, nem de expressar sua opinião... Nesse caso, não a dúvida que, em comparação, viver aqui é um sonho.
Pra mim, as oportunidades aqui são apenas diferentes das que eu tinha no Brasil. Aqui eu tenho um carro automático porque é até difícil achar um que não seja. Em Fortaleza eu tinha praia e a melhor comida do mundo (na minha opinião!!). Mas não escolhi ficar aqui porque um carro automático é mais importante pra mim do que comida e praia, de jeito nenhum!!!! O porque de eu estar aqui dá outro post.
A verdade é que pra muita gente o acesso mais fácil a bens de consumo é razão suficiente pra sonhar com esse país. Se alguém acha que é melhor viver aqui porque pode comprar um carro, uma TV de tela plana e um iPod, tudo bem. Mas, normalmente, você está trocando suas raízes culturais, a proximidade da família, calor humano, por essas coisas. Quem quiser faz suas escolhas. Ou não. Porque nem só de aparelhos eletrônicos vive o homem!!!
Alguns imigrantes vêm pra cá com mala, cuia, família, música, comida, toda a sua cultura junto. Porque não querem abrir mão do que tinham e querem mais oportunidades. Observe a comunidade mexicana (que é a maior) ou de outros países da América Latina aqui nos Estados Unidos e você vai entender exatamente o que eu quero dizer. Assim como muitas outras comunidades que criam suas mini-cidades dentro das cidades americanas. Daí as "Chinatowns" e "Little Italys" espalhadas por aí...
Enfim, essa noção de que todo mundo que se naturaliza americano o faz porque acha que tudo aqui é muito melhor, e que está desesperado pra deixar suas raízes pra trás, é obviamente falsa.
No meu caso, enquanto estava sentada ali no Centro de Convenções ouvindo (mais ou menos) o discurso do procurador, não tinha como eu me sentir extremamente grata pelo privilégio de me tornar cidadã americana porque fui salva de uma vida de qualidade inferior lá no Brasil!! Não!! Eu estava feliz por ter tomado essa dificílima decisão de me naturalizar, e por poder ser cidadã de dois países, cada um com seus defeitos e encantos, mas que são (um mais que o outro) "home" pra mim.
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